
Fofo, né?!
O blog http://whatapic.blogspot.com tem um arsenal de imagens surpreendentes, artÃsticas, bizarras, incategorizáveis.
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Próximo sábado, 9 de maio
ASSEMBLÉIA GERAL – PRIMEIRA CONVOCAÇÃO
Série de encontros e debates sobre arte, cultura, polÃtica, tecnologia, comportamento e improvisações.
16h30 – Frederico Coelho: “Livro ou Livro-me: os escritos babilônicos de Hélio Oiticica”
17h15 – Helena Aragão: “Overmundo: a cultura de todo Brasil na internet”.
18h – Raul Mourão entrevista Fausto Fawcett
ENTRADA FRANCA
Rua Joaquim Silva 71 – Lapa
(atrás da Sala CecÃlia Meireles)
É necessário confirmar presença pelo
email:Â contato@automatica.art.br
Apoio: Automatica   Natasha RB   Tecnopop
Estudiosa do mundo da arte & tecnologia, Machiko Kusahara diz que precisamos perceber que não somos digitais
Publicada em 27/04/2009 no globo digital
VinÃcius Andrade Pereira
RIO – Professora na Universidade Waseda, em Tóquio, e professora vistante na UCLA, Machiko Kusahara também é curadora de mostras de arte digital desde 1985. Suas pesquisas, de caráter interdisciplinar, conectam campos distintos como arte, ciências, tecnologias, cultura, sociologia e história. Nesta entrevista, Machiko Kusahara revela como são tênues as fronteiras entre arte, tecnologia e entretenimento. E melhor ainda: ela esteve em 27/04 no teatro Oi Casa Grande, no Leblon, durante o segundo encontro do CECC Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea, com entrada franca e mediação de Cora Rónai, André Parente e Erick Felinto.
Como você vê, hoje em dia, as fronteiras entre arte, tecnologia e entretenimento?
As fronteiras tradicionais não são mais válidas. Mesmo no fim do século XIX já ocorria um diálogo entre esses campos. O começo do cinema é um exemplo conhecido. É claro que existem campos especÃficos para “arte”, “tecnologias” e “entretenimento”, mas as fronteiras não são nÃtidas. E são nas zonas cinzentas onde os experimentos acontecem e novas possibilidades em cada campo são encubadas.
Como entender o impacto das novas tecnologias no modo como os jovens estão consumindo entretenimento midiático?
As pessoas precisam entender o papel e o impacto do entretenimento na nossa história. O entretenimento foi uma ferramenta que o poder usou para deixar as pessoas se esquecerem dos seus problemas do dia-a-dia desde tempos antigos. Por outro lado, o entretenimento promoveu importantes invenções tecnológicas, como no caso de Daguerre, que “inventou” a fotografia. Hoje o YouTube tem um grande impacto nos modos como as pessoas se comunicam. Nós precisamos analisar o que está acontecendo através de abordagens crÃticas e realistas. Não me parece correto que faltem, com frequência, discussões teóricas e crÃticas em universidades onde há cursos para se ensinar como criar conteúdo de entretenimento para mÃdias.
As novas tecnologias estão mudando os modos como as pessoas se envolvem com as artes?
O acesso à s artes tem mudado com a internet, começando com a web e agora com blogs, YouTube etc. Ferramentas para “fazer arte” também tornaram-se muito mais acessÃveis, como programas de edição de vÃdeos… Mas tenho a sensação de que as mudanças ainda estão apenas começando.
Quais as perspectivas para os negócios de entretenimento na televisão?
Os negócios das TVs são diferentes em cada paÃs, refletindo panoramas polÃticos, técnicos e comerciais… No Japão, veremos o que vai acontecer quando o sistema de transmissão analógico terminar, em 2011.
Entrando especificamente na área universitária… o que deveria ser considerado neste contexto, diante da cultura digital e do entretenimento?
Os estudantes precisam ser, ao mesmo tempo, crÃticos e criativos. Como disse antes, ter uma perspectiva histórica e teórica é útil. Ao mesmo tempo, apenas conversar sobre teoria sem uma experiência prática com a cultura digital é um contrassenso. As universidades precisam de um equilÃbrio entre teoria e prática, entre crÃtica e experiências…
Você poderia nos explicar a ideia da Device Art e mostrar como ela pode ajudar a compreender melhor o diálogo entre arte, tecnologia e entretenimento?
O que chamamos de Device Art (Arte de Aparelho Eletrônico) é uma forma de arte midiática que integra arte e tecnologia, além de design, entretenimento, cultura popular e produção comercial. Em vez de considerar a tecnologia como mera ferramenta que serve à arte, como comumente é vista, propomos um modelo no qual a tecnologia é o coração da obra de arte. O conceito tomou forma na análise de trabalhos de artistas japoneses contemporâneos internacionalmente reconhecidos – como Toshio Iwai, Nobumichi Tosa (Maywa Denki) e Kazuhiko Hachiya. As caracterÃsticas aparentes em muitos desses projetos incluem interação, uma atitude positiva em relação à tecnologia, e diversão. Esta abordagem, que é frequentemente considerada suspeita de um ponto de vista ocidental é, na verdade, parte natural da arte japonesa. Uma longa história de cultura visual que se desenvolveu independentemente dos paradigmas das artes ocidentais desempenha um importante papel na cena artÃstica japonesa, oferecendo aos artistas oportunidades mais amplas para levarem suas obras e conceitos para fora do contexto dos museus e das galerias.
O que dizer aos pais que estão educando suas crianças hoje? Quais deveriam ser os limites para as crianças que estão lidando todo o tempo com diferentes tipos de mÃdias?
Este é um problema crucial. É possÃvel que a minha resposta surpreenda, mas eu recomendaria que fossem dadas mais chances para as crianças cuidarem de plantas e de animais, para compreenderem que nós todos somos coisas vivas que partilhamos muito do nosso DNA. Não somos seres digitais que vivem de eletricidade. Seria significativo passar uma hora por dia com algum gato em vez de gastar este tempo jogando games.
Como você relacionaria arte, tecnologia e entretenimento e a cultura brasileiria?
Esta é minha quarta vez por aqui no Brasil, mas ainda não tive tempo suficiente para ver muito do paÃs. Falando genericamente, obras de arte midiática de brasileiros são muito fortes, e frequentemente o corpo é um tema central na obra. Essa caracterÃstica parece refletir a cultura brasileira.
VINICIUS ANDRADE PEREIRA é professor do PPGC-UERJ e diretor do Pan Media Lab ESPM. Email: vinianp@yahoo.com
Este texto foi gentilmente enviado por Traplev para a publicação no Artesquema.
A DISFUNÇÃO DO PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA
OU O DES-PANORAMA EM ACLIMAÇÃO
(E COMENTÃRIOS DO BLOG DO CANAL CONTEMPORÂNEO)
(publicado também em versão espanhol http://esferapublica.org/nfblog/?p=1893 )
Roberto Moreira Junior
(Traplev)
Quando li a reportagem na Folha de SP, também lembrei como referência, sobre a indicação na Alemanha do artista inglês Liam Gillick para a Bienal de Veneza deste ano. Mas o interessante em ler a reportagem e depois ler os comentários no blog do canal contemporâneo (http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/002119.html), foi sentir tanta inflamação.
Não creio que o contexto seja de “desrespeito para com os artistas brasileiros em pleno tempo de expansão†como escrito em um post no blog do Canal, para mim essa proposta de Adriano Pedrosa soa mais como uma “armadilha estética†(não duchampiana!), do que um desrespeito a produção de arte brasileira.
Adriano Pedrosa, não é o único a polemizar o Panorama da Arte Brasileira que acontece no MAM de São Paulo desde 1969. Depois do Panorama de 2001 (com curadoria de Ricardo Basbaum, Ricardo Resende e Paulo Reis) todos os Panoramas que se prosseguiram nunca mais tiveram o mesmo impacto dentro do circuito de arte institucional e informal no Brasil.
Com a “polêmica-interna†que gerou a referida exposição em 2001 (uma “crise†no bom sentido), que na minha opinião, foi uma das melhores curadorias com o nome de Panorama da Arte Brasileira da última década, porque justamente estavam focados com o que estava ocorrendo na época, despontando outras práticas artÃsticas que não somente esse circulo de “visibilidade brasileira†e não se preocupando apenas em paradigmas e circuitos de mercado. (E nesse sentido a publicação – não catálogo – editada por Ana Paula Cohen, e a entrevista com Artur Barrio reforçaram a proposta justamente reafirmando outras práticas não padronizadas pela Instituição Museológica e o “Catálogo de Exposiçãoâ€).
As outras tentativas partindo do talvez primeiro DES-Panorama do G. Mosquera começaram a decair e não conseguiram mais encontrar o sentido de se fazer este evento que comemora seus 40 anos em 2009. Ainda entre os Panoramas internacionais (Mosquera em 2003 e Pedrosa em 2009), teve a Curadoria de Felipe Chaimovich que ainda se preocupou em pesquisar por muitos estados do Brasil (in-situ), o que se produzia na época. Concordo também com o post (do link acima) de Juliana Burigo, Ligia Borba e Guy Amado, que simplesmente poderia se resolver o problema promovendo uma curadoria que não exatamente o tal “Panorama nanannnannâ€.
Também soa interessante essa indignação pela proposta de Adriano Pedrosa, pois justamente evidencia um problema maior que está por trás de tudo isso e que de alguma forma passa despercebido – a posição do MAM-SP que aceita tal proposta para o evento bienal de nome Panorama da Arte Brasileira.
Creio que essa coisa de utilizar o evento (pelo menos nos últimos 8 anos) que acontece desde 1969 até hoje com propostas querendo “renovar†o panorama da arte brasileira com artistas internacionais, é claramente um problema de Identidade da própria Instituição. Penso que os próprios diretores-presidentes e ou conselheiros, curadores do MAM-SP ou quem é que seja que administra essas “chamadas conceituais†para o Panorama, (como tb já dizia outro post), que deveriam responder por essa crise de identidade.
E ainda se falar que Programa de Residência é uma inovação (!), também não cabe mais nesses discursos. Nesse sentido concordo com Marco Paulo Rolla entre outros comentários, de propor realmente uma virada de conceito do que significa ainda hoje realizar um Panorama da Arte Brasileira no Brasil.
A emergência de se rever, discutir, questionar, esvaziar e modificar os princÃpios e sentidos de eventos como o Panorama, Bienal, Salões e etc, são essenciais.
As opções de atualização são infinitas, porque mesmo não pensar em programas de comissionamento a trabalhos, fomentando a produção de artistas brasileiros (neste sentido diga-se de alto e bom tom, não apenas os “artistas do mercado brasileiroâ€) para as edições bienais do Panorama (???).
Nesse sentido o projeto de Adriano Pedrosa realmente poderia ter outro contexto para refletir sobre o que ele propõe, não precisaria necessariamente evidenciar-se e aproveitar-se da “melodia institucional†em se intitular de Panorama da Arte Brasileira. Concordo também sobre as opiniões que se colocam sobre o questionamento do que é arte brasileira internacional por Daniela Labra: “É arte brasileira com penas de arara (Tropicália) ou arte brasileira com cara de Robert Morris?â€, realmente essas confusões de continentes e nacionalismos são paradigmas delicados e a proposta como esta de Adriano Pedrosa (de se fazer o Panorama da Arte Brasileira Européia), ou mesmo esse último “Manifesto†de Bourriaud que tenta pensar outros paradigmas da arte sobre pontos de vistas duvidosos ao se falar generalizando, colocam em xeque e ás vezes impõe princÃpios conceituais e ações de curadores que não correspondem com situações especÃficas (“time specific X site specific†[!]) de circuitos diversos.
Desde a saÃda (emergencial combinada) de Ivo Mesquita e sua equipe, da direção do MAM-SP(-ITAÙ) de 2001, o Panorama da Arte Brasileira “balançaâ€.
Porque não se comentou a curadoria do Panorama “Contraditórioâ€[!] de Moacir dos Anjos, que na pouca informação, crÃtica e comentários que busquei nada diziam de tão inflamante como este..(!?) Neste ano da Curadoria do Moacir, tentei procurar várias vezes (google, canal, mapa, etc, etc, etc..) informações de pelo menos quem foram os artistas selecionados (!) e nem na página do próprio MAM-SP tinha o nome dos artistas!!!, mas quando vi uma parte de nomes tão conhecidos da “arte brasileira para exportação†(com a sequência da parceria para a ARCO de Galerias Brasileiras & Governo Federal, etc, etc, etc), perdia o interesse, porque para um sentido de PANORAMA, se desviava de um dado foco, se perdia a atenção de algo a mais do que vemos no mercado ou somente daquilo que circula nesse meio.
A situação que vemos da proposta de curadoria de Adriano Pedrosa, é um problema claro e evidente de uma necessidade das Instituições no Brasil, (seja do evento de nome Panorama da Arte Brasileira, seja do MAM-SP, seja da Fundação Bienal de SP, do MUBE, do MAM-RIO, do MASC, do MAC-PR, entre qualquer outro), de rever ações e operacionalizar de um modo coerente as demandas dos artistas e do público para a nova década que surge.
E nesse sentido, quando há uma brecha como esta da edição do Panorama da Arte Brasileira (de Europeus, como já citado) de 2009 ser realizado, perde-se uma oportunidade rica de investigar a produção artÃstica do Brasil, sobre óticas e iniciativas ainda a serem desenvolvidas em suas diferentes re-adaptações e formatos (conceituais e administrativa).
O problema de mexer com essas iniciativas, é o grau de visibilidade que está contido nelas, pois essa “febre de status†(de artistas e curadores), muitas vezes desvia o contexto de se pensar a produção de arte brasileira.
Nesse sentido, falando neste contexto de DES-PANORAMAS, uma das (infinitas) questões Institucionais seria: como atuar sobre essas “plataformas de visibilidade†expandindo o formato e conceito de entre alguns Salões, Editais, Programas de Exposições, Panoramas e ou Bienais etc, etc, etc, etc, etc etc, etc (7vezes) ???
Publicado no site esferapublica, este texto levanta um questionamento interessante sobre a relação do curador com o mercado de arte. A autora incita os colegas curadores para que hajam de modo verdadeiro e ético, no sentido de assumirem de fato sua real relação com a inserção de um artista no circuito comercial. Somente assim, acredita, o curador poderá ter uma ação saudável com essa instância mercadológica. Estou de acordo.
Segue trecho do original em espanhol.
¿Por qué los curadores insisten en que su trabajo se realiza al margen del mercado? ¿Por qué insisten en aparentar una especie de pureza frente a movimiento económico del arte? Sobre todo cuando todos sabemos que no es asà y menos en un mundo en el que todas las actividades están contaminadas por lo económico y lo comercial, o es que pervive una idea romántica y nostálgica del intelectual separado del mundanal ruido y las necesidades mundanas. Marcela Römer ataca un tema que parece tabú y exige la valentÃa de asumirlo en positivo.
“CuradurÃa y mercadeo es un tema actual, interesante y cuestionador. Estimados colegas: no se queden en el discurso romántico, porque ese lugar es fácil. Elaboren paradigmas de contemporaneidad para realmente “construir†discurso crÃtico. Uno de los objetivos éticos de un curador es ese, y justamente ese es uno de los que sà puede lidiar con el mercado.”
Uma mulher se vê num espelho posicionado na prateleira do supermercado e começa um alongamento dos braços. A câmera mostra em seguida todos os consumidores do supermercado exercitando seus corpos numa ginástica grosseira. Do lado de fora do supermercado, vê-se uma pequena aglomeração de pessoas também exercitando seus corpos grosseira e individualmente e um casal se beija ao fundo do plano. Em certo momento, toca um telefone celular seguido de outros tantos que tocam e toda a cena imediatamente se interrompe, cedendo a esse apelo sonoro irresistÃvel. As pessoas procuram e atendem seus celulares desligando-se daquele espaço através do pequeno dispositivo que as coloca, em tempo real, em conexão com outro lugar. Ouve-se uma música sacra que abafa a conversa dos celulares e que nos sinaliza, não sem ironia, a total reverência que submetemos a esse dispositivo.
É com esta “brincadeira†feita pelo cineasta Marcelo Masagão no filme 1,99 o supermercado que vende palavras que gostaria de abrir este artigo, que se quer mais um estranhamento do que uma clareza, acerca de algumas questões que o corpo, que chamarei de corpo hiperestimulado, experimenta na contemporaneidade.
OPUS CORPUS – Antropologia das aparências corporais é uma pesquisa do antropólogo francês residente em São Paulo, Stéphane Malysse. O trabalho foi transformado numa obra on-line de formato interativo. O conteúdo é muito bacana para artistas corporais, curiosos e estudiosos do assunto.
Aproveitando a celeuma em torno do Panorama de Arte Brasileira sem arte brasileira, lanço a questão:
Mas, afinal, o que é Arte Brasileira?
a) Arte feita no Brasil
b) Arte feita por artistas brasileiros
c) Arte com cara de Brasil
d) Qualquer tipo de arte feita em qualquer lugar
e) Todas as respostas
f) Outras
Traduzi pequeno trecho do Manifesto Altermoderno (Nicolas Bourriaud) e Patricia Canetti gentilmente traduziu o resto por conta e risco. Seguem, também, links sobre o assunto indicados por membros do grupo de discussão CORO.
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ALTERMODERN MANIFESTO – PÓS-MODERNISMO ESTà MORTO
Viagens, intercâmbio cultural e análise da história não são apenas temas em moda, mas marcadores de uma profunda evolução na nossa visão de mundo e na nossa maneira habitá-lo.
Mais genericamente, a nossa percepção globalizada exige novas formas de representação: a nossa vida quotidiana se dá num enorme cenário mais do que nunca, e depende agora de entidades transnacionais, de viagens de curta ou longa distância, em um universo caótico e prolÃfico.
Muitos sinais indicam que o perÃodo histórico definido pelo pós-modernismo está chegando ao fim: multiculturalismo e o discurso de identidade estão sendo ultrapassados por um movimento planetário de “creolizaçãoâ€. O relativismo cultural e a desconstrução, que substitui o universalismo modernista, não nos dão armas contra a dupla ameaça da cultura de massa uniforme e de uma regressão tradicionalista de extrema-direita.
Os tempos parecem propÃcios para a recomposição de uma modernidade no presente, reconfigurado de acordo com o contexto especÃfico em que vivemos – crucial na era da globalização – entendido em seus aspectos econômicos, polÃticos e culturais: uma altermodernidade.
Se o Modernismo do século XX foi sobretudo um fenômeno da cultura ocidental, a altermodernidade decorre de negociações planetárias, discussões entre agentes de diferentes culturas. Desprendido de um centro, ele só pode ser poliglota. A Altermodernidade caracteriza-se pela tradução, ao contrário do modernismo do século XX, que falava o idioma abstrato do ocidente colonial e do pós-modernismo, que resumia o fenômeno artÃstico à s origens e identidades.
Estamos entrando na era da legendagem universal, da dublagem generalizada. Hoje, a arte explora os laços que texto e imagem tecem entre si. Artistas percorrerem uma paisagem cultural saturada com sinais, criando novos percursos entre múltiplos formatos de expressão e de comunicação.
O artista se torna “homo viator”, o protótipo do viajante contemporâneo cuja passagem por signos e formatos remete a uma experiência de mobilidade contemporânea, viagens e transpassagens. Esta evolução pode ser vista na maneira como as obras são feitas: um novo tipo de forma está surgindo, a forma-viagem, feita de linhas traçadas tanto no espaço e como no tempo, materializando trajetórias em vez de destinos. A forma do trabalho exprime um curso, um vaguear, em vez de um espaço-tempo fixo.
A arte altermoderna é assim entendida como um hipertexto; artistas traduzem e transcodificam a informação de um formato para outro, e passeiam pela geografia, assim como pela história. Isto dá origem a práticas que podem ser referidas como “time-specific”, em resposta ao “site-specific”, trabalho dos anos 60. Rotas de voo, programas de tradução e cadeias de elementos heterogêneos articulam-se mutuamente. O nosso universo torna-se um território em que todas as dimensões podem ser percorridas tanto no tempo como no espaço.
A “Tate Triennial 2009†se apresenta como uma discussão coletiva sobre esta hipótese do final do pós-modernismo e da emergência de uma altermodernidade global.
http://www.e-flux.com/shows/view/6579
O Canal Contemporâneo re-publicou e eu posto aqui:
Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na sessão Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 20 de março de 2009
Exposição será reservada a estrangeiros que dialoguem com a cultura do paÃs
O 31º Panorama da Arte Brasileira, que acontece em outubro, no MAM-SP, terá ainda projeto de residências artÃsticas para estrangeiros
Depois da polêmica Bienal do Vazio, no ano passado, que deixou um andar do pavilhão no Ibirapuera sem produções artÃsticas, a controvérsia do mundo das artes plásticas nacionais deste ano promete ser o 31º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), previsto para ser aberto no dia 10 de outubro.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, 43, a mostra bienal não terá artistas brasileiros, ao contrário do que indica seu tÃtulo, mas estrangeiros que estabeleçam algum diálogo com a cultura local ou estejam vinculados a um tipo de produção que ele considere brasileira.
“Minha primeira ideia foi organizar um panorama de arte latino-americana, que acabou amadurecendo nessa ideia de arte brasileira feita por estrangeiros. Esse projeto também reflete minha percepção de que a programação das instituições na cidade é majoritariamente com brasileiros”, disse Pedrosa à Folha, na sede do MAM.
Criado em 1969 e transformado em evento bienal em 1995, o Panorama visava até então apresentar uma leitura da produção brasileira contemporânea, tendo sido organizado por curadores como Ivo Mesquita, em 1995, ou o cubano Gerardo Mosquera, em 2003, que agregou três estrangeiros à mostra, entre 19 artistas.
A proposta de não incluir artistas brasileiros significaria que a produção nacional anda fraca? “Estou flexibilizando uma noção ossificada de “arte brasileira”, questionando-a. O “brasileiro” nesse contexto deixa de ser nacionalista. Parece-me pertinente, pois o Brasil e a arte brasileira sempre foram muito abertos”, diz Pedrosa.
Residências
Outra inovação será a realização de residências artÃsticas para estrangeiros, como ocorreu na 27ª Bienal de SP (2006), na qual Pedrosa foi cocurador.
Assim como daquela vez, a Faap irá acolher os artistas em um edifÃcio na praça Patriarca. Esse tipo de procedimento, contudo, teve inÃcio antes na carreira do curador: “O projeto de residências é algo que primeiro desenvolvi com a Luisa Lambri, uma italiana que fez fotografias de arquitetura brasileira, em 2003. É um bom exemplo de “arte brasileira”, nesse sentido ampliado”.
Pedrosa pretende selecionar cerca de 30 nomes para a mostra: “Meu objetivo é buscar artistas que estabeleçam uma relação mais profunda com a cultura brasileira, como o Superflex [da Dinamarca], que trabalhou com o guaraná Power, ou a [francesa] Dominique Gonzalez-Foerster, que já trabalhou com muitas referências nossas e vive no Rio”.
Cerca de metade da seleção, ainda segundo Pedrosa, deve participar do programa com a Faap: “Nas residências, vamos convidar de dez a 15 artistas que potencialmente possam desenvolver uma relação com o paÃs, não apenas para realizar uma obra para o Panorama mas para algo muito além disso. Trata-se assim de reunir artistas estrangeiros que já produzam “arte brasileira” e oferecer possibilidades para que outros também o façam”.
Mais que polêmica, a proposta de Pedrosa é ambiciosa: é possÃvel definir como brasileiro um trabalho de arte contemporânea, independentemente de quem o realize? Essa foi, afinal, uma das questões fundamentais dos modernistas brasileiros, que nunca conseguiram chegar a uma conclusão.