Ferreira Gullar revê o manifesto neoconcreto

Artigo publicado no Jornal do Brasil em 20.03.2009 traz comentários do poeta-crítico sobre o movimento neoconcreto, sobre literatura e claro, arte contemporânea.

“Academizaram a rebeldia. Pode uma coisa dessas? O novo virou um fetiche. Agora me consideram um crítico conservador. Mas o rebelde sou eu: porque eles estão em todas as academias, exposições, galerias, e todos concordam entre si. Até hoje não saíram do urinol, fazem exposição com cocô. Mas isso só acontece nas artes plásticas, que é financiada com o dinheiro dos grandes museus. Se isso acontecesse na literatura, ninguém compraria livros; no teatro, ninguém veria os espetáculos. Porque ninguém vai querer colocar cocô artificial ou urinol na sala. Agora veja, nem tudo está perdido: a exposição do Vik Muniz, no MAM, está lotada. Porque é boa e nova, e ninguém está contra o que é bom e é novidade. Ele sim faz arte mesmo.”

Completando e – com todo o respeito – confrontando o poeta, há muitos artistas maravilhosos que não só o Vik Muniz, quem aliás, em minha humilde visão, descobriu uma fórmula bacana de fazer suas obras e que a repete em quase tudo o que faz. Muniz é um bom representante da mina de ouro que é o mercado de arte, sendo um artista aplaudido e alavancado pelo sistema institucional (museus) e por setores ‘mundanos’ como publicidade. Ou seja, não dá prá detonar o sistema da arte e suas instituições e ao mesmo tempo dizer que o Vik é a salvação da lavoura, por que este, com o seu talento e sensibilidade, não deixa de ser fruto do outro. Com todo o respeito.

E que tem gente que repete o urinol e o cocô em lata até hoje, ah, sim, isso tem -  do mesmo modo que tem gente repetindo o Pollock, o Andy Warhol, Picasso e o impressionismo. Mas e aí, qual das repetições é melhor que a outra? Nenhuma.

No mais, a entrevista com Gullar é cultura brasileira e leitura quase obrigatória. Publicada on-line no Portal Literal.

http://portalliteral.terra.com.br/artigos/ferreira-gullar-reve-o-manifesto-neoconcreto

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